TENHO QUE CARREGAR APENAS OS FARDOS QUE FAZEM ALGUM SENTIDO…

Precisamos levar a vida com menos assombro. Temos que preservar nosso aqui e agora. Temos que separar o de fora do de dentro. Não podemos misturar o amanhã com o hoje. Temos que deixar o previsto para a sua hora de acontecer. Não podemos imaginar o que pode vir a ser. Nosso agora tem que ser mais autista, fechado e completo em nosso prazer de agora. Não posso apagar as luzes e começar a ver monstros na escuridão. É certo que não podemos negar a realidade. Contudo, não podemos nos eximir das maluquices que inventamos e que tornam a realidade muito mais pesada do que ela já é. Ora, para que serve a nossa inteligência? Temos que cravar algumas certezas em certas coisas. Está tudo bem agora: tenho meu quarto, a noite está fresca e tenho todas as condições de dormir como um pássaro. Tenho que fechar um circuito de pensamento com base em elementos reais. Tenho que me conter de elementos incabíveis nesse momento. Tenho que dar conta de me colocar dentro de uma bolha – minimamente – protetora desses medos irreais que invento para mim. Tenho que carregar apenas os pesos que fazem algum sentido. Tenho que viver o máximo possível do que é. Tenho que parar de brincar de adivinho do que pode me fazer mal. Por que não brinco de adivinho do que me pode ser bom? Tenho que parar com essa mania de ver furos onde não há. Estou completo e sou completo, até segunda ordem. Acho que posso começar a brincar de ser deus ao menos com meu agora …Evaristo Magalhães – Psicanalista

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