POR QUE NÃO QUEREMOS NEM PENSAR NA HIPÓTESE DE PERDER UM GRANDE AMOR?

Por que não queremos nem pensar na hipótese de perder as pessoas que amamos? Que lugar é esse que a ausência das pessoas nos joga? Isso prova que o outro, em nossas vidas, funciona como uma espécie de prótese de algo insuportável em nós mesmos. Ocorre, que não temos ninguém o tempo todo. O outro se despede. O outro vira para o lado. O outro não atende o telefone. O outro não chega na hora marcada. É assustador como certas pessoas se desesperam frente à essas pequenas despedidas?! Imagina tais pessoas tendo que se deparar com as despedidas definitivas? Não perdemos ninguém: nos perdemos no outro. Não sabemos quem somos. Precisamos de um outro-prótese para saber quem somos. Não odiamos o outro quando somos abandonados. Odiamos a nós mesmos nessa condição de não saber quem somos. Do lado de cá, tem as coisas, as pessoas, as festas, as fantasias e os sonhos. Do outro lado, tem o nada: é lá que temos que dar conta de ser. Do lado de cá, roemos, consumimos e sufocamos os outros em nossos desesperos. Nesse lugar, sempre fracassaremos em nosso intento de completude pela dependência de alguém. Não podemos começar de cá para lá. Temos que fazer o caminho inverso: partindo de lá para cá. Tenho que ser onde não sou. Tenho que me roer primeiro para ver o que encontro de mais meu nesse lugar. Só estarei pronto para amar, depois que eu de conta de olhar para a minha verdade – não mais com tanto pânico – mas com serenidade, humildade e doçura. Evaristo Magalhães – Psicanalista

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