POR QUE NÃO CONSEGUIMOS ADMITIR QUE O AMOR ACABOU?

Nosso problema não é o amor que acabou. Nosso problema é o buraco que esse amor deixou. Tudo tem mais de um lado. Tem o atrás da porta. Tem o escuro da luz que se apaga. Tem a falta do cheiro do outro. Tem a nossa boca que pede o gosto da boca dele. Fora o abraço, o aconchego e a segurança. Sem isso, fica um furo. Outros amores virão com seus furos. Não é o outro que me falta. O que dói é o fantasma que fica e que sua presença cobria. Não podemos amar com ninguém abrindo uma cratera em nós. Não podemos amar para cobrir uma dor. O amor não pode ser uma ameaça de morte. Não podemos rimar amor e dor. Não é o pânico que move o amor. O furo é meu. Ele tem que cerzido por mim. Meu amor tem que ser o compartilhamento da minha alegria de ser bem comigo. Ninguém pode ir querendo engolir o outro. Tenho que dar conta de mim sem ninguém. Não posso ficar triste nas despedidas. Não posso pensar fora de mim, como se eu estivesse me buscando onde não sou. O amor tem que ser a alegria de amar. Temos que amar com os olhos cheios de amor e não de medo do amor que pode faltar. O fim do amor não pode fazer nenhuma diferença. O amor do outro precisa me silenciar quando o quero para suprir o amor que me falta. O outro me fará muito bem ao partir me deixando me arranjar com o meu furo que só diz respeito a mim. Não odiamos o outro quando somos largados. No fundo, odiamos a nós mesmos. Odiamos nossa impotência em achar qualquer coisa maior que a nossa capacidade de se sobrepor a ela.Evaristo Magalhães – Psicanalista

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