A CULPA É SEMPRE SUA …

Não é o mundo que te perturba. Não é o outro que te faz sofrer. O que te perturba, é o que do mundo você traz para dentro de você. O que te perturba, é o outro que você cria dentro de você. Não damos conta de nós sozinhos. São muitas as questões que não temos respostas. Não suportamos essa solidão. É por isso que passamos noites em claro – sempre muito perturbados – tentando encontrar nas coisas do mundo, ou nas pessoas, algo que possa amenizar essas nossas angústias de viver. Não conseguiremos! Nada do mundo pode amortecer nossas dores. Não temos como materializar nada que possa nos dar como certa a nossa alegria de viver, sem esses fantasmas do nosso existir. Existe saída? Sim. A saída é nos desfocarmos dessas ilusões. Podemos voltar nossa atenção para o que temos em mãos. Podemos retornar para o nosso cotidiano como algo parecido de quando vivíamos fora do mundo do pensamento. Nessa infância, comunicávamos por gestos e sensações. Compreendíamos e éramos compreendidos pelo nosso corpo em contato com outro corpo. Não havia perturbação. Não havia questionamentos. Vivíamos com o que tínhamos. Vivíamos com o que éramos – no sentido mais literal desse termo. Não saíamos de nós. Satisfazíamos sem necessitar de nada de fora. Precisamos voltar a cultivar essa nossa fase meio autista. Viveremos eternamente perturbados se ficarmos perguntando acerca da nossa existência. Na carência por uma resposta que não existe, agarraremos, desesperadamente, a alguém que também não poderá atender ao que demandamos. Enfim, viveremos, para sempre, desassossegados. Inventamos essas questões malucas e fugimos do que temos como certo. Foi nos dado um corpo, um tempo e um espaço para gozar a vida. Se não nos contentamos com isso, e perdemos tempo tentando desvendar o impossível, a culpa não pode ser atribuída à ninguém senão a nós mesmos – covardes da alegria de viver que podemos.Evaristo Magalhães Psicanalista

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