A SAUDADE É UMA VONTADE MASOQUISTA DE TRAZER DE VOLTA O QUE NÃO EXISTE …

Sofrer quer dizer permanecer vinculado à quem se perdeu pela dor de uma ausência. A perda é o gozo – ao contrário – do que estaríamos sentido se ainda estivéssemos com quem partiu.

A perda é o amor que ficou na forma de dor. A saudade não deixa de ser uma forma de sentir prazer por alguém que se despediu.

Quando o outro está presente gozamos de infinitas formas. Quando o outro falta só conseguimos gozar da angústia que esta falta nos faz.

Somos muito criativos na presença, e pouco criativos na ausência. Sabemos amar quando temos. Precisamos aprender a amar na ausência.

Não podemos resolver com a dor. Não podemos camuflar com a angústia.  Em algum momento não teremos – sequer – a nós mesmos como gostaríamos – e não poderemos surtar.

O corpo jovem significa prazer e significa – também – que algum momento ele perderá todo o seu vigor. A imagem jubilada no espelho precisa incluir – com alegria – a mesma imagem que estará disforme daqui a algum tempo. Perder precisa ter a mesma vivacidade do prazer de possuir.

A saudade é uma vontade masoquista de trazer de volta o que partiu.

Quanto ao que temos já sabemos – muito bem – o que fazer. Falta-nos coragem para enfrentar o que nos falta e o que nos faltará. Nunca é demais repetir que viver é – também – perder.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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