POR QUE SÓ O PRAZER PODE NOS SALVAR?

Não existe um prazer igual ao outro. O prazer abre e fecha: todo prazer é único. A palavra quer dizer como devemos sentir. A palavra controla quem somos pelo medo e pela vergonha. O corpo transgride. Somos – de verdade – só quando furamos o pensamento. Pena que isso não acontece sempre. Vamos frustrando o que temos de mais original, na medida em que vamos nos submetendo ao disciplinamento do outro. É por isso que adoecemos. Nossa energia própria acaba entristecendo por não poder ser como é. De vez em quando gozamos, quando damos uma mancada. Contudo, logo nos recompomos de acordo com o script. Ainda bem que temos a arte para nos fazer rir do quanto somos socialmente patéticos. Pena que voltamos para o mesmo do mesmo ao sairmos do teatro. Optamos por pagar um alto preço por não sermos. Levamos quem não somos até para dentro de um quarto escuro. Vamos seguindo o status quo e deixando de viver cada situação em sua singularidade de prazer. Trocamos o inédito pelo monótono. Optamos pela máscara em troca de irmos pela vida nos reinventando a cada sensação. Mortificamos nosso prazer de viver em troca de uma vida sem vida. Evaristo Magalhães – Psicanalista

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