NÃO DEVERÍAMOS SOFRER POR NINGUÉM…

Não tem como eu sentir solidão de mim. Só posso sentir solidão do outro. A solidão é sempre de alguma coisa fora de mim. A solidão é carência. A solidão é dependência. Não deveríamos sofrer por ninguém. Por que? Temos a nós mesmos. A vida não pode ser reduzida a um único prazer. Não posso querer ter alguém como sendo a minha única felicidade. O outro é só uma das minhas felicidades. Tenho que ser a minha maior felicidade. Meu luto será eterno se deposito minha felicidade em algo fora de mim. Posso me perder de tudo que busco fora de mim. Só não me perco fora de mim. Por isso, tenho que ser a minha melhor felicidade. Se o outro me falta, não devo sofrer ou correr atrás. Na ausência de alguém, tenho que me bastar. Tenho que me bastar com outros prazeres: pode ser um de cada vez, ou, pode ser muitos ao mesmo tempo. Na falta do outro, tenho que encontrar um outro jeito de gozar: o melhor jeito é sempre comigo. O outro, em princípio, não existe. Não posso dizer que ele é meu, porque não posso fazer dele uma extensão de mim. Não posso fazer com que ele perca de si para ser só meu. Na falta do outro, eu me sobro. Na falta de todo mundo, ainda me resto. No fundo, só eu existo. Não é possível que eu me falte de mim. Só eu posso me pegar do jeito que eu quiser. Só eu posso me ouvir sem nunca me faltar. Só eu posso me sentir como ninguém. Posso até amar fora de mim, porém, jamais sem estar seguro de me amar primeiro. Sou a única garantia de mim. Sempre sofro quando me perder dela.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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