O QUE ACONTECE QUANDO FICAMOS COMPLETAMENTE APAIXONADOS?

A paixão te define como uma pessoa completamente dispersa. É como se você não tivesse nutrido nenhum sentimento por nada – até o momento em que ela acontece. É como se você estivesse esperando por algum ponto onde você pudesse se fixar por inteiro. É como se você tivesse guardado todas as suas energias para viver tudo por uma única coisa. E não se trata apenas de entregar toda a sua energia emocional. Na paixão, você coloca tudo seu nela. Tudo seu vai com ela. Tudo seu está com ela -mesmo quando ela está longe. Tudo seu é dela. É como se sua carne latejasse por ela. É como se você tatuasse o nome dela no espaço que existe entre um poro e outro do seu corpo inteiro. Parece que ela entra e sai o tempo todo de todos os buracos que existe em você. Suas pernas e braços pedem por ela. Você a imprime em seu DNA. Tudo em você pulsa por ela. Tudo em você clama por ela. Seu coração bate por ela. Seu pulmão respira por ela. Você está todo mobilizado por ela: do dedão do pé até o último fio de cabelo. Quando essa paixão falta, tudo em você dói e entristece. Tudo em você berra pela volta dela. Você não dorme para não se desvincular dela. Você não come para não misturar nada dentro de você com ela. Nada pode tomar o lugar dela. Você sequer toma banho para não tirar o que ficou dela em você. Você paralisa, porque qualquer movimento que você fizer pode gastar alguma energia dela que ficou em você. Você não quer dar um rumo para a sua vida, porque nada pode mudar a história que você criou com ela. É como se você quisesse parar o tempo para que tudo o que vocês viveram permanecesse o mesmo em uma repetição infinita. Você não faz laço com mais nada para não desgastar o laço que você fez com ela. Qualquer outra coisa pode representar um antes e um depois entre vocês – e isso é inadmissível para você. Você congela tudo para que ela fique como está. Você concentra tudo seu como se isso pudesse – de uma forma telepática – dizer para ela voltar. Mesmo não estando mais, ela continua em você. A paixão é tão absurda que você é capaz de imaginar, com detalhes, todos os movimentos dela vinte e quatro horas por dia. Tudo dela ficou e ficará impregnado em você: o cheiro, o gosto, o tato, a cor, o peso, a altura, o beijo, a mão, os pés, os dedos. Na paixão você não é mais você. Você a incorporou. Você está completamente possuído por ela. Você escuta a voz dela. Você a vê andando na rua. Você conversa com ela. Você conta tudo pra ela. Ela é a sua alucinação e o seu delírio. Ela é a sua loucura, e você gosta disso, porque é muito bom. Quem nunca se perdeu assim por alguém?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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