RECUPERE SEU PRAZER DE VIVER ENQUANTO É TEMPO…

Temos que recuperar nossa relação de corpo a corpo com as pessoas e com as coisas. Na primeira infância, o bebê ainda não adentrou nesse mundo de se fazer entender pela palavra. Ele vive com a figura materna um corpo a corpo feito de trocas precoces e jogos de fonação que, curiosamente, eles se entendem muito bem. Ele vive seu prazer próprio com sua mãe. Depois disso, ele perde seu gozo, ao ter que prestar contas de seu desejo para o outro. Ele nunca mais será ele mesmo – uma vez que agora ele tem que levar em conta certas exigências. Há algum jeito de recuperar esse gozo perdido? Sim. A língua nos confronta o tempo todo com o equívoco. Infelizmente, muitos não dão conta dessa devastação e surtam. Outros, no entanto, aproveitam esse silêncio para resgatarem suas singularidades perdidas. É a partir desse vazio da palavra que o corpo a corpo com as pessoas e com as coisas pode ser retomado. A relação – nesse silêncio – não passa mais pela língua oficial: não há um padrão que conduz. O afeto será a língua oficial. Nossos afetos não são os mesmos para todas as pessoas e para todos os objetos: para cada pessoa e para cada coisa um afeto específico. Para cada pessoa e para cada coisa uma língua única. Para cada pessoa e para cada coisa um poema novo: um poema onde o EU com seus afetos – agora – é a língua oficial, e não mais o outro com suas imposições e padronizações de gozo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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