O AMOR NÃO PODE SER VISCERAL…

Não podemos amar visceralmente. Todo mundo tem que ser livre para ir e vir. Não podemos ser viscerais nem com nossos pais. Ninguém é para sempre.

Só podemos ter visceralidade com o que não tem vontade própria. Podemos amar loucamente um filme, um livro, uma casa ou um carro.

Não podemos confundir o amor pelas coisas com o o amor pelas pessoas. Não é possível amar visceralmente uma pessoa: ela não suportaria tanto amor porque seria um amor sufocante, objetal e simbiótico. Não seria um amor de dois respeitando autonomia de cada um.

Seria um amor que visa tomar o outro inteiro para si. Não seria um amor que suportaria uma falta. Seria um amor totalmente perdido no outro. Um amor sem permissão para o outro ser por si. Um amor capaz de abrir mão de todos os seus vínculos, de toda a sua história, de todo o seu intelecto e de todos os seus valores apenas para viver um amor. Seria um amor melancólico porque é  sustentado pelo medo de perder.

O amor visceral só pode acontecer pelo que se permite ser possuído sem questionar. Só pode ser pelo que posso dizer que me pertence.

O amor visceral enlouquece com sentidos dúbios. Ele é radical. Ele não abre de não ser correspondido porque é arrogante – uma vez que não existe outro amor mais amoroso que o seu. Ele é todo o amor que existe – ao ponto de colocar no amor todo o seu sentido de existir.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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