NÃO PODEMOS SUBMETER O QUE SENTIMOS AO CRIVO DA MORALIDADE E DA RELIGIÃO…

Continuo achando que a saída é pelo corpo. Não pela culpa. Não pela doença. Não pela angústia. Não pela ansiedade. Isso não é saída: isso é submissão. Temos que fazer um furo na tradição. Temos que criar brechas na moralidade. Temos que fazer sulcos na religião. Com o quê? Com o nosso corpo. Temos que conseguir dialogar tendo nosso corpo como veículo. Não é mais o prazer que o Outro quer. É o prazer que quero para mim. É o prazer que me faz bem. É o prazer que me faz feliz. Meu prazer não precisa falar a mesma língua do Outro – uma vez que ele é legítimo. Terei que ser escutado no meu prazer – uma vez que não represento qualquer dano. Sofro quando sou sufocado em meus desejos: sinto angústia, ansiedade e pânico. Culpo-me porque o Outro não consegue escutar o que sinto. Tenho que primeiro tomar para mim meus desejos. A mãe compreende perfeitamente as demandas de seu bebê sem nenhuma palavra. Precisamos não mais submeter nossas emoções à nada. Não pode mais ser assim ou assado. O padronizado tem que dialogar com o singular. Serão várias línguas? Serão línguas individuais? Não importa. Quantos estrangeiros não conseguem sobreviver fora de seu países de origem? As pessoas precisam entender o que tenho para dizer do modo como quero dizer.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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