TENHO QUE BUSCAR EM MIM O QUE GOSTO …

Tenho que buscar em mim o que gosto. Não posso fazer pelo outro esperando que ele goste primeiro. Se assim for, farei de modo sofrido com receio de que ele possa vir a não gostar.

Se faço porque gosto – e se ele não gostar – apenas posso dizer que sinto muito por ele.

Contudo, creio que se faço porque gosto, é muito provável que ele gostará também. Afinal, não é de gostar que estamos falando? Mesmo porque não tenho vocação para gostar do que não seja bom. Se gosto de Tom Jobim, é seguro que ele gostará também. Se gosto do que falo, não tenho dúvida de que ele gostará também – uma vez que cultivo um certo cuidado para não constranger meu interlocutor.

Não é – simplesmente – EU em primeiro lugar. O detalhe é estar seguro  do prazer próprio de viver.

Se faço porque gosto – e se o outro não quiser me acompanhar – não sofrerei. Justificaria sofrer se eu estivesse me violentado para satisfazer os gostos e os interesses dele. Justificaria sofrer se eu não tivesse sido legal com ele.

A questão é que não sendo legal com ele, eu não estaria sendo legal comigo também. Tento gostar do que é bom. Tento gostar do que é justo. Tento gostar do que é belo. Tento que gostar do melhor.

Se o outro tiver – também – esses desejos, terei o maior em acompanhá-lo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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