JAMAIS CONSEGUIREI DIZER QUEM SOU

Grande parte do que digo de mim não corresponde ao que realmente sou.

Nunca sou como sou visto, como sou ouvido e como sou tocado. Mais não sou que sou. Tenho que gostar disso que sou e que não consigo colocar para fora.

Não consigo me colocar em palavras. Não consigo me encaixar em ideias. Passam sentimentos e imagens disformes dentro de mim.

Sou muito mais do que sei de mim. Isso é ruim? Não. Isso é um problema? De jeito nenhum. Sou louco? Também não. Isso só acontece comigo? Claro que não.

Sou dois: um que sei dizer e outro completamente nebuloso.

Sou um que sei falar e outro que só posso sentir. Sou um que eu posso descrever e outro que eu só posso contemplar.

Não devo ficar ansioso ou angustiado por não saber de mim. Não devo perder o sono, tomar medicamento, me julgar esquisito, comer compulsivamente ou me drogar por isso.

Devo  rir,  fazer poesia ou – simplesmente – tomar e carregar esse estranho de mim como sendo meu.

Todo mundo tem algo de si que desconhece. Todo mundo tem uma loucura própria. Todo mundo tem um lado débil de si. Todo mundo é meio normalmente louco.

No fundo, todo mundo, ainda que sem saber, é meio que um artista de si.

Só a arte dá conta de rir, chorar e problematizar isso que somos – e não de uma forma desesperadora.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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