AONDE VOCÊ GOZARIA SEM NENHUM CONSTRANGIMENTO?

Tenho que me fazer essas perguntas: aonde eu gozaria sem nenhum constrangimento? Estou gozando agora sem nenhum constrangimento?
Meu gozo está aqui ou está lá? Se meu gozo está lá, isto não explicaria a minha infelicidade de agora? Esse gozo de futuro é que é a raiz do problema. Não conseguimos gozar aqui e gozar lá. Não podemos dizer que não gozamos nada daqui. Ninguém é cem por cento infeliz. Porém, o nosso grande gozo está sempre lá. É lá que gozaríamos plenamente. Por isso nossos projetos são tão ansiosos. Por que esse prazer, sempre retardado, é tão angustiante? Como fazer para gozar desse depois sem dor? Precisamos trazer o gozo do final para o início. Julgamos o futuro como sendo o ápice do nosso gozo. Só tomamos o nosso agora como frustrante, porque temos essa imagem gozante como meta. Como fazer uma operação de redução do futuro para o presente? Como fazer a travessia dessa fantasia de volta para a realidade? Na verdade, gozar do presente é algo muito transgressor. Seria viver com quase nenhuma ilusão. E viver sem ilusões é – realmente – muito ameaçador. Por que? Porque não há poder sem ilusão, não há consumo sem ansiedade, não há religião sem medo e não há ciência sem angústia. A revolução é gozar de si.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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