POR QUE TEMEMOS TANTO A LOUCURA?

Na dita normalidade há uma divisão nítida entre pensamento e imaginação. O tido como normal não pode pensar e nem imaginar o que quiser. Nessa suposta normalidade, esses campos não se entrelaçam: tudo já vem prescrito. Por que tememos tanto a loucura? O dito louco pensa e imagina o que quiser. No chamado de normal, a palavra parece uma espécie de fotografia da coisa. No que tratamos como louco, a palavra não é a coisa. O dito louco vê uma infinidade de outros modos de ser para além do que está dado como forma de vida. Seu imaginário não é fixo. Seu pensar não está restrito ao que a gramática estabeleceu como correto. Ele é livre para fazer o nó que quiser entre o seu pensar, seu sentir e os enigmas do mundo. O mundo do dito normal é limitado. O mundo do dito louco é infinito. Nesse nosso tempo em que tudo o que é fixo está caindo por terra, parece que é a loucura que vem ganhando ares de normalidade. Nesse nosso tempo em que tudo o que era sólido está desmanchando no ar, parece que – finalmente – estamos conquistando o direito de ser o quisermos como um guia para a humanidade. Temos que tomar muito cuidado para não confundirmos loucura com comportamento inconsequente e irresponsável. A loucura pode ser boa. O que seria da vida sem os ditos loucos?! Infelizmente, parece que  estamos permitindo reaparecer um bando de imbecís que querem trazer o mundo de volta para um tempo em que as palavras vinham grudadas nas coisas.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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