A FELICIDADE DA PRESENÇA TEM QUE SER A MESMA DA AUSÊNCIA…

Felicidade não é o que já sabemos. Felicidade é saber lidar com o que não sabemos. Nosso namoro nunca será exatamente como imaginamos. Nunca será exatamente o que você esperava de seu novo trabalho. Nunca será a viagem dos seus sonhos. A infelicidade é exatamente a incapacidade de lidar com o que não é a felicidade. Felicidade é saber lidar com o triste com a mesma leveza com que lidamos com o alegre. A felicidade da presença tem que ser a mesma da ausência. A infelicidade da ausência não pode destruir o que foi a beleza da felicidade da presença. É assustador como temos a capacidade de sermos infelizes estando felizes. Estamos felizes agora e infelizes, porque daqui a pouco essa mesma felicidade não estará mais aqui.
Já sabemos da felicidade. Não sabemos é da infelicidade. Erramos porque nunca resolvemos nossa infelicidade em nós mesmos. Erramos porque sempre depositamos a nossa felicidade fora de nós mesmos. Dependemos de uma prótese de felicidade. Nunca vamos felizes ao encontro de uma felicidade. Nossa felicidade tem a mania de sempre nascer de uma infelicidade ou de sempre carregar alguma infelicidade. Por incrível que pareça, necessitamos sempre de alguma infelicidade para buscar a felicidade. Entendemos que seremos eternamente infelizes se essa felicidade nunca chegar. Nunca será de fato feliz uma felicidade que não nasceu de nós mesmos. Tenho que ser feliz vendo feliz minha própria infelicidade. Minha felicidade tem que ser também a minha infelicidade. Tenho que parar de projetar minha felicidade fora de mim. Antes de qualquer coisa, minha felicidade sou eu com tudo de mim. É porque me vejo infeliz que vivo mendigando a felicidade alheia. O problema é que não consigo grudar em mim uma felicidade que não seja minha. Não consigo ninguém que me faça feliz – mesmo porque o outro para ser feliz precisa encontrar sua própria felicidade. Não posso tomar para mim o direito de alguém encontrar a sua própria felicidade. Só posso torcer para aparecer alguém que queira compartilhar comigo a sua felicidade. O outro só virá com a sua felicidade quando eu estiver certo da minha. Nunca dará certo o encontro de uma felicidade com uma infelicidade. É de uma covardia absurda alguém querer fazer da felicidade do outro a sua própria felicidade.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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