A FELICIDADE É MEIO AUTISTA…

Meus olhos abertos me tiram de mim. Meus ouvidos me enganam quando me fazem ouvir coisas estranhas a mim. Minha mente me faz delirar coisas que eu não deveria.

Não posso sair de mim. Sou o que tenho. Tenho que me contentar comigo. Não me encontrarei saindo de mim.

Não devo me perguntar por quem sou. Ninguém é feliz carente. Não posso descontentar de mim. Não tenho garantias fora de mim. Ninguém pode resolver o que carrego comigo – mesmo porque ninguém está ileso deste mesmo problema.

Não posso buscar o que me falta na falta do outro. Tenho que gostar de mim com o que tenho. Tenho que gostar de mim com o que sou, com o que vejo, ouço e penso de mim. Tenho que gostar apenas do que está sob o meu poder.

Não posso buscar fora o que não sou – mesmo porque não domino o que não me pertence. A felicidade é redundante. A felicidade litoral. A felicidade é focal. A felicidade é literal.

Não posso viver lugares que não são meus. Não posso trocar o que tenho pelo que não tenho. Não posso trocar o que me é seguro por algo que nem sei se será meu. Minha felicidade é o que tenho.

Quem chegar não será  para complementar. Quem chegar é para dividir. Fora isto, é só expectativa, frustração, medo e angústia.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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