A VIDA NÃO É SUPERAÇÃO

Nem tudo na vida é superação. Não superamos  – por exemplo – fato de que estamos envelhecendo.

Não controlamos o tempo e as perdas. A pergunta que deve ser feita não é como faço para me livrar disso e, sim, como faço para me arranjar com isso?

Não somos um. Somos dois: somos um que vive e outro que está partida.

Amamos sem garantias. Não existe ciência, religião, filosofia e muito menos milagre para a realização amorosa.

A saída é pela ação. Somos vida e morte. Não adianta querer vencer a morte. Não adianta lutar contra ela. Não adianta querer exorcizá-la.  Ela é real, invencível e caminha conosco.

Contudo, ao longo desse trajeto, podemos ir perfurando buracos de prazer nessa certeza. Quanto mais, melhor. Quanto mais profundo, melhor. Quanto mais for a nossa cara, melhor. Não podemos é parar de perfurar – uma vez que não podemos voltar no caminho que passou. O tempo da vida não volta. É por isso que não podemos arrepender do que fizemos. É por isso que temos que fazer bem feito.

Já sabemos como será o final dessa caminhada. É por isso que temos que usufruir de  tudo dessa nossa andança. Temos que cavar bem. Temos que colocar o máximo de nós nessas brechas. Não podemos nos perder no que  de mais triste compõe essa caminhada.

Temos que inventar nossa alegria. Cada um tem a sua. A minha é escutar as pessoas e escrever crônicas.  E a sua qual é?

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