NÃO PODEMOS SER ENGOLIDOS POR ESSE LAMAÇAL QUE TOMOU O BRASIL.

O caminho é o inverso. Não estamos vazios: estamos entupidos do pior. Temos que nos esvaziar de todo esse lamaçal para o bem da nossa saúde mental. Temos fazer furos nessa patetice para tentar encontrar algum sentido nisso – antes que enlouqueçamos. Não podemos permitir que toda essa canalhice tome quem somos. Precisamos criar formas de lidar com toda essa podridez para permanecermos – minimamente – ativos e saudáveis. Não podemos titubear – sob o risco de desistirmos e adentrarmos em quadros crônicos de melancolia. Ninguém consegue sobreviver sem se implicar nesse antro de dejetos. O Brasil não está vazio. O Brasil está abarrotado de carnificina. Não podemos fugir do combate. Somos do bem. Sabemos que nossa luta funciona de boca em boca e de corpo a corpo. Não possuímos as mesmas armas desses trogloditas da mentira e de seus interesses escusos. Nosso poder vai num crescente. Vamos chegando aos poucos. Não podemos é deixar de chegar. Não podemos é ser engolidos por toda essa lambança. É agora – e mais do que nunca – que não podemos nos abater. É hora de criar pequenas fissuras nessa estrutura – que mais parece uma rocha de ferro – para fazer escorrer algo que ao mesmo tempo mine essa coisa deplorável e garanta-nos alguma sanidade mental. Parece que estamos perdendo nossas forças. Parece que estamos sendo derrotados por essa podridão. Parece que estamos entregando os pontos. Parece que estamos perdendo a capacidade de implodir essa bagaceira. Temos que perfurar essa calhordice para infiltrar em suas brechas algo de nós mesmos. Algo que nos faça encontrar quem somos e o que queremos de melhor para esse País. Fora isto, seremos engolidos por esse lamaçal. A questão é gravíssima. Esses porcos não querem apenas o poder: querem que desapareçamos de nós mesmos e dos nossos ideais. Querem tomar quem somos com seus vômitos de destruição, miséria e fome. Querem anular quem somos com o que eles têm de pior. Outras enxurradas de esgoto virão. Não podemos é escancarar a boca e engolir tudo em silêncio. Sempre haverá frestas: é aí que resistiremos quem somos. O belo sempre apareceu na forma de fragmento. O justo nunca foi o dominante. Contudo, muitos ainda resistem em seus valores – apesar da montanha de fezes que se formou.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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