A VIDA NÃO É MINHA, MAS POSSO USUFRUIR DEMAIS DELA …

Vamos perder pessoas queridas. Vamos envelhecer – assim espero – e a qualquer hora será a nossa vez de partir para sempre. Estas são as nossas certezas – e que não cabem qualquer pergunta.

Não estou mais preocupado em entender esses enigmas.

Já perdi muitos amados. Contudo, não quero mais ater-me a teorias ou doutrinas inócuas sobre a vida.

Já sei que a realidade não é fácil. Já sei dos riscos de se estar vivo. Quero é saber quais outros efeitos posso tirar disso.

Não se trata de lutar contra. Também, não se trata de ficar ansioso ou depressivo.

Da dor eu já sei. Quero saber agora é do meu prazer. Quero saber o que tem de bom em toda essa confusão de viver. Quero é saber de que maneira posso roer esse osso em favor da minha alegria.

Estou certo de que não terei resposta se eu ficar pensando. Então, quero é agir: quero é fazer.

Nada posso contra as despedidas. Não tenho poder sobre a minha velhice. Já sei que minha finitude é certa. Tudo isto está registrado em algum lugar e não quero saber quem assinou embaixo. Quero é saber dos meus próprios registros, das minhas assinaturas e só aceito assinar com letras de prazer.

Sei de tudo o que está acontecendo comigo. Também, sei que muito disso independe da minha vontade. Não se trata de não querer. Vai acontecer, mesmo não estando datado porque é irreversível. No entanto, não estou interessado mais nisso.

Quero outros acontecimentos. Quero o que posso fazer acontecer de mim. Quero só o que está sob o meu poder. Estou interessado em como vou me fazer acontecer. Estou interessado no que posso fazer de mim – mesmo sabendo que posso ser surpreendido pelo pior.

Enquanto meu fim não chega, quero saber do mundo que tenho para mim. Tenho que fazer acontecer tudo o que eu puder – antes que eu seja acontecido.

Estou indo – eu sei. Porém, ainda não fui. Ainda me tenho. Posso fazer muita coisa comigo. Quero viver o que de melhor posso de mim. Minha vida não me pertence, mas, agora, só quero saber do que posso usufruir dela.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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