NÃO QUERO MAIS SABER DE MIM…


Tentam me fazer sentir culpado por eu não saber tudo de mim. Dizem que tenho que me conhecer. Dizem que tenho que ser transparente comigo. Dizem que tenho que ser cristalino comigo. Criaram um buraco infinito dentro de mim. Disseram que tenho que pensar sobre o meu vazio. Ocorre que eu venho tentando fazer isso – sem sucesso – há décadas. Quanto mais perto chego, mais distante fico de mim. É uma tortura querer me fotografar com palavras. Desisto! Não quero mais saber de mim. Não vou mais sofrer por não saber quem sou. Quero gozar de mim no lugar de querer saber de mim. Não quero me intelectualizar mais. Agora quero ser literal comigo. Quero ser litoral dessa coisa de ter que ser introspectivo. Não quero saber. Quero é sentir sem pensar. Quero me curtir. Quero o prazer descarado. Quero criar sulcos de gozo nesse breu de mim. Desisto de querer saber de onde vim e para onde vou. Quero algo que me fixe no agora sem antes e nem depois. Quero o que tenho e não o que não tive e nem o que nem sei se terei. Não tenho origem: apenas sou. Se me julgo – me culpo. Se me conceituo – não chego a nenhuma conclusão. Nunca consegui me abstrair. Se não consigo ser o querem de mim, vou tentar ser o quero de mim. Estou seguro – uma vez que só quero o melhor de mim pra mim.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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