A FELICIDADE NÃO É INTELECTUAL …

Posso não conseguir pensar tudo: não sei de onde vim e nem para onde vou. Posso perder meus amores. O que fazer com isso que tanto me amedronta? Posso não conseguir pensar sobre isso. Contudo, posso escrever algo nisso. Como assim “escrever algo nisso”? Posso escrever com meu corpo. Não preciso ficar me torturando por não saber. Posso marcar minha ignorância escrevendo algo nela. Enquanto não sei, vou pela vida deixando minha marca sobre as coisas e as pessoas: experimentando, sentindo e amando. Posso não saber com meu espírito. Contudo, posso saber com meu corpo. Posso não ficar parado e depressivo. Posso agir. Posso colocar meu corpo em movimento. Posso fazer acontecer quem sou. É seguro que terminarei triste buscando uma explicação para a minha tristeza. Posso – sim – perguntar pela tristeza. Contudo, não sou feito só de filosofia. Tenho um corpo, estou no tempo e posso movimentar no espaço. Quem disse que é empobrecedor colocar o corpo para resolver? Quem disse que a felicidade é intelectual? Quem disse que saber-fazer é menos prazeroso? Por que não resgatar a inocência infantil na vida adulta? Por que não viver como a criança que ainda não pensa e vive os prazeres do corpo fora de qualquer julgamento moral? Por que não quietar o espírito e experimentar o que o corpo tem de mais eficaz para amenizar as tristezas da vida?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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