SÓ É AMOR QUANDO LATEJAMOS DE AMOR …

O que acaba com o amor é pensar que se sabe sobre o amor. Quando é assim, não é o amor que comanda. O que comanda, é o saber sobre o amor. Saber sobre o amor, não é amor. O saber sobre o amor é a aparência do amor. Para o amor acontecer, é necessário fazer desaparecer esse que acha que sabe sobre o amor. Quando achamos que sabemos, conduzimos o nosso amor por esse saber. O amor deixa de ser um sentimento para virar um pensamento. A relação vira um inferno, porque já se sabe de qual amor se quer. O amor não pode ser premeditado. O amor tem que ser imprevisível. Fora isto, não é amor. Padronizamos o amor quando simulamos o amor que queremos: forçamos um amor.  Viramos calculistas do amor. Viramos casais robotizados de amor. Matamos o amor quando estamos certos do nosso amor. Só existe amor livre. Só existe amor incerto. Pensar o amor é assassinar o que o amor tem de mais bonito: a espontaneidade de amar. O amor não foi feito para ter. O amor é para ser. Só é amor quando latejamos de amor. Só é amor quando o corpo vibra de amor. Só é amor quando a química acontece. Só é amor com frio na barriga. Só é amor com tremor nas pernas. Só é amor com olhos palpitantes. Só é amor com gemidos de amor. Fora esses os critérios, não faz o menor sentido continuar amando. Não é amor quando se perde a volúpia de amar. Não é mais amor sem a fissura de amar. O amor é tesão. O amor é para não ter razão.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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