POR QUE VIVEMOS MAIS DA AUSÊNCIA QUE DA PRESENÇA?

Sempre queremos mais. Nunca estamos satisfeitos. Estamos o tempo todo cobrando mais amor. Por que desfazemos tanto de nós mesmos por outro sempre além do que somos? Quantos não vivem para o céu? Quantos não vivem em função de suas utopias? Quantos não deixam de viver o hoje em detrimento de amanhã que sequer estamos de acontecer? Quantos já não começam a sofrer logo pela manhã de domingo só porque está chegando a segunda-feira? Por que estamos sempre mais lá do que cá? O que é a falta? Será que falta? O que é o completo? Existe o completo? Qual a origem dessa insatisfação? Por que sempre estamos tão infelizes com o que temos e o que somos? Não sei. Só sei que grande parte da explicação para os nossos problemas está nessa nossa insatisfação crônica com o presente. Com esse buraco existencial, criamos a ansiedade e a angústia. Com esta vontade louca de tudo ter, inventamos o ódio e as guerras. Com esta ilusão de completude, estamos destruindo a vida na terra. Odiamos o que temos e viramos compulsivos do que não temos. A ausência virou uma doença. Por que nossas conquistas sempre terminam em dejeto? Será que algum momento vamos ter paz de espírito? Será que em algum momento conseguiremos quietar nosso coração? Será que vamos conseguir nos libertar de todas as nossas ilusões? Será que algum dia vamos conseguir enxergar nossos dejetos como uma joia rara?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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