RIDÍCULO É NÃO GOZAR A VIDA …

Não podemos perder a intensidade do nosso viver. Não importa o lugar. Não importa a companhia. Não importa o que estivermos fazendo. A emoção não é a mesma para tudo. Importa é viver o sentimento de cada coisa com tudo o que ela tem de mais prazeroso. De preferência, sem fazer qualquer julgamento. Importa é viver como um bebê que ainda não aprendeu a falar. Não podemos é fazermo-nos mal. Temos o dever de viver tudo o que está ao nosso alcance. Não deveríamos misturar nossos sentimentos. Não deveríamos julgar nossos sentimentos. Não deveríamos viver do que ainda virá ou que sequer virá. Sentimento não é para ser hierarquizado. Sentimento é da ordem da intensidade: quanto mais melhor. Jamais devo pensar que a minha alegria de viver não é a que tenho agora. Sentimento não tem conotação moral – a não ser quando é um sentimento vil. Sentimento é para ser vivido. Sentimento é para ser gozado. Por que não viver se não há mal algum? Deveríamos trocar nossas tristezas apenas por alegrias possíveis. Triste é quem vive de alegrias delirantes. Devo sempre acrescentar em mim apenas prazeres reais. Preciso materializar meu tesão no que gosto. Às vezes fantasiamos demais. Não podemos trocar o corpo pela mente. A mente é abstrata. A mente não sente. A mente apenas calcula. A mente nunca conclui. A mente nunca goza inteira. Não podemos excluir nosso corpo do que temos e somos. O bebê é só corpo em tudo o que faz. O adulto esquece o corpo. O adulto é muito chato em tudo o que faz. O corpo só é perigoso quando se perde do bem para si. Deixamos de lado nossas emoções mais intensas, na medida em que vamos sendo educados. Suplantamos pensamentos de prazeres alucinados sobre os prazeres reais que de fato temos. Desfazemos do que temos em troca do que não temos. Para gozar bem, não é preciso muito: basta observar os bebês brincando, comendo e rindo. O prazer de viver é débil. A alegria de viver é tola. Precisamos retirar as máscaras da cultura e resgatarmos a nossa espontaneidade original de viver. O gozo não é ridículo. Ridículo é quem nunca goza.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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