NÃO PODEMOS FICAR À DERIVA …

Perdemos nossos referenciais ordenadores. Estamos desbussolados. Estamos a sós com o nosso corpo. Estamos a sós com as nossas sensações. Estamos a sós com a nossa raiva e com o nosso sexo. Não temos mais um guia de como agir com isso: cada um precisa construir o seu. O tempo do sentido pela palavra acabou. Nossas emoções são – hoje – como uma massa amorfa onde teremos que nos modelar para continuarmos vivos. Não podemos ficar à deriva. Temos que saber o que fazer com isso. Não existe nada muito seguro para ancorarmos quem somos. Viramos artistas das nossas emoções. Viver ou morrer dependerá da capacidade de cada um de se reinventar. Não é mais a palavra que cria o corpo. Cada corpo tem que criar para si seu próprio sentido. Cada um tem agora a possibilidade de inventar um vocabulário sobre seu próprio prazer. Nunca – em outro tempo – nosso corpo esteve tão livre para ser o que quiser. O sentido é de cada um. O que nos unifica não é mais o fato de possuirmos o mesmo sentido. O que nos reúne é o fato de sermos absolutamente singulares em nossos sentidos. O sentido – agora – nasce da própria carne. Não há mais um guia único. A única exigência é que o indivíduo não saia por aí desprovido de um norte – ainda que mínimo. Qual norte? Qualquer um – desde que seja um norte.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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