SERÁ O FIM DA AMIZADE?

O que nos faz sofrer? A incerteza. Sofreríamos menos se tudo fosse UM. Tudo pode ser dois, três, quatro … A palavra é infinita. Não há uma palavra definitiva. Há um mundo de palavras depois da palavra. Não temos muitas certezas no mundo real. No mundo virtual, temos menos ainda. Nossas conversas pelo Zap são cheias de duplo. A ausência física aumenta ainda mais a nossa paranoia. Isto que estou lendo ou ouvido do outro, é UM ou é dois? Estará ele sendo verdadeiro? A fala sem corpo aumenta ainda mais a nossa solidão. Corremos menos o risco de mentir quando falamos de corpo presente. O corpo afeta a fala. A fala afetada pelo corpo, não mente. O corpo é o UM. A escrita mente. A voz sem corpo mente. O afeto não mente. Não podemos prescindir dos nossos encontros na vida real. Não existe amizade segura sem o gesto e suas pulsações. De corpo presente enxergamos melhor se há ou não  sinceridade. O corpo é menos dúbio. Fora que na vida real tem o olho no olho. A fala incorporada tem as suas pausas que não deixam mentir. Na vida real falamos também com o corpo. Somos muito mais amados na vida real que no mundo virtual. No virtual não é o corpo que fala. Não há amor no virtual. No virtual é uma máquina que escreve. Podemos prescindir do outro real? Sim. Com a condição de que eu faça UM comigo mesmo. Será possível? Parece que é este o caminho que o mundo atual vem nos apontando. Será que nos bastaremos?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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