SOFRO QUANDO ME PERCO DE MIM ..

Não podemos querer do mundo o que ele não pode nos dar. A questão não é perguntar pelo que não temos. Melhor é perguntar pelo que temos. Melhor é tomar o que temos como sendo único. Não estou falando de TER no sentido material. Estou falando do que temos no sentido mais profundo de nossas emoções. Quanto menos perguntarmos sobre nós mesmos, menos sofreremos. Quanto mais nos reduzirmos a UM, menos transtornos teremos. Há o UM? Sim. O que é o UM? É o meu singular. É o que não varia. Não posso ser e não ser. Não posso me dividir em dois discursos. O que me adoece é esse sem fim de perguntas que vivo fazendo tentando me encontrar fora de mim. A fantasia é uma coisa que não existe. O pensamento não é uma equação matemática. A felicidade é uma operação de redução. Redução a quê? Redução a mim. Redução àquilo que é exclusivo meu. Quanto mais eu me focar no que tenho de único, menos vou me dividir em busca de algo que não me diz respeito. Não sou o que meu pensamento diz que me falta. Penso: logo falto. Não penso: logo sou. Sei de mim quando não sei de mim. Sei de mim quando apenas vivo quem sou. Não devo me ver a partir das minhas brechas: estas são tão reais quanto o que tenho de mais consistente. Preciso unificar essas duas partes de mim. Não é fora de mim que encontrarei essa unidade. Essa operação só me diz respeito. Preciso tomar uma posição sobre o que não tenho. A melhor saída é tatuar o que tenho em mim de tal modo que eu nunca me perca de mim pelo que eu não tenho de mim.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s