QUAL O AMOR PROCURO?

Procuro corpos mudos. Procuro corpos guiados por sentimentos – e livres.

Estou exausto de corpos blá blá blá. Dispenso seres com duplo sentido.

Não quero amar ideias e palavras. Quero gestos, toques, cheiros, sabores, gritos, sussurros e gemidos.

Cansei de ego e superego. Quero compartilhar o ato e não o abstrato. Quero estar com quem chega.

Não quero gente escorregadia. Quero – e sem justificativa. Quero precisão. Não quero essa história de gente dividida.

Procuro quem é bem resolvido. Quero síntese. Odeio dialética. Busco o que é. Dispenso quem é e não é. Cansei de gente que se questiona.

Agora quero quem não enxerga um palmo à frente do próprio nariz.

Cansei de metáfora. Busco metonímia. Quero o literal. Cansei de sincronia. Quero diacronia.

Quero direto ao ponto. Quero quem se vê emocionalmente. Quero quem se dá fácil. Quero quem se toca sem medo. Quero quem se ama.

Quero alguém disposto a viver só o que de fato somos: o corpo e tudo de tesão que ele é.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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