NÃO TENHO UM CORPO: SOU MEU CORPO!

Não sou  um corpo. Tenho meu corpo. Essa história de ser é pura balela.

O que é ser um corpo? Nunca sou um corpo. Quando me vejo pensando em ser sempre concluo que me falta algo. Viverei tentando ser sem nunca me sentir possuído.

Os animais são seus corpos. Nunca vi um bicho questionando a si. Esse é o segredo: ter. Essa coisa de ser é mais uma ilusão do consumo do que um dado de realidade.

Não devo me ver pelo que desejo de mim. Não devo me ver pelo que me falta. Isso não é desejo. Isso é tortura.

Devo me ater ao que posso fazer do meu corpo. Devo mudar apenas quando não estiver saudável. Fora isto, devo apenas viver o que tenho.

Devo olhar para o que tenho como sendo eu. Afinal, não posso ser pelo que me falta porque nunca serei. Não devo me pensar: as palavras não são as coisas.

Devo ter. Simplesmente ter. Devo gostar do que tenho como completo. Devo gostar de mim sempre como perfeito. Devo viver o que tenho com toda intensidade possível. Não devo nunca me retardar. Não devo perder mais tempo de mim. Não poderei voltar de mim.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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