QUANTO MAIS VAIDADE MAIS SOFRIMENTO…

Parece fácil para todo mundo ter um corpo. Não é. Controlamos nossos movimentos. Sabemos da força que temos. Gostamos mais de umas coisas. Compramos um monte de apetrechos para melhorar outras. Ingerimos esquisitices para termos mais saúde. No entanto, nosso corpo não é só isso. Não existiríamos sem ele: isto é um fato. Nele está a nossa salvação e está também a nossa derrocada. Acabaremos pelo corpo que temos. O que fazer com esse nosso lado sombrio ? Ele vai acontecer – queiramos ou não. Nosso intelecto insiste em contrariar essa verdade. Sempre achamos que podemos ter mais beleza do que já temos. No entanto, nosso corpo acontece nossa feiura a cada segundo que passa. Sempre achamos que podemos ser mais fortes do que já somos. Nosso corpo tem um tempo próprio, que segue uma direção oposta ao que desejamos dele. Não adianta – em se tratando de corpo – começamos a perder logo que nascemos: isto é igual para todo mundo. A forma como cada um lida com isso é que não é a mesma. Frente à esta sombra que nos persegue – em muitos – o corpo reage com sintomas de toda ordem. Alguns se deprimem, outros ficam compulsivos por cirurgias plásticas ou por anabolizantes e há, ainda, aqueles que desistem de tudo. Não seria esse nosso lado nebuloso – que tanto negamos – que estaria por detrás das nossas ansiedades? Há algo em nós que jamais saberemos. O que fazer? A morte é inevitável. Contudo, paralelo a ela, existe uma infinidade de coisas que podemos fazer. Sofremos, exatamente quando exigimos da vida mais do que ela pode nos dar. Ficamos ansiosos, exatamente quando não aceitamos a realidade dos fatos. Penso que poderíamos viver um pouco menos perturbados, se conseguíssemos dialogar – com mais de desprendimento – com isso que é certo em nós e que queremos negar que seja. Em cada etapa, a vida nos escancara limites e possibilidades. Difícil mesmo é dialogar de forma sincera com ela. Sempre queremos mais do que ela pode nos dar. A chave está no controle desse pânico. A saída está no equilíbrio do nosso excesso de vaidade. O caminho está na nossa dificuldade para encarar a realidade de que envelheceremos e morreremos – e sermos felizes carregando ela junto.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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