Sobre o SILÊNCIO…

O que há depois da palavra? Temos duas opções: infinitas palavras ou o silêncio. Esse silêncio não pode ser mortífero. Não pode ser melancólico. Não pode ser depressivo. Somos cheios de silêncios. Não sabemos o que vai acontecer daqui a pouco. Não enxergamos todos os lados de tudo. Tem o silêncio da minha velhice. Tem o silêncio da minha morte. Alguém possui uma explicação definitiva para alguma coisa? Não podemos temer nossos silêncios. No fundo, se observarmos com coragem, veremos o quanto os nossos barulhos são esburacados. Não vemos os poros da nossa pele. Não percebemos os intervalos entre as nossas palavras. Nossas letras são todas furadas. Infelizmente, só podemos testemunhar esse silêncio. Ele é invencível. Até para gritar temos que parar para respirar. Fora que chega uma hora que a voz acaba. Tudo termina em silêncio. Somos testemunhas desse vazio. Vamos abrindo uma cratera atrás da outra enquanto falamos. Nosso mundo é muito barulhento. Precisamos aprender a amar os nossos silêncios do mesmo jeito que não sobrevivemos sem os nossos ruídos. Só precisamos tomar muito cuidado para não fazer dos nossos megabytes uma tentativa de preenchimento desse nosso vácuo existencial. Não temos escolha: a ele teremos que nos render. Não seria melhor se tentássemos nos arranjar com ele desde já?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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