ONDE FOI PARAR O NOSSO TESÃO DE VIVER?

Onde foi parar nosso tesão de viver? Posso gozar a vida com o mundo ou comigo mesmo.

No entanto, parece que a regra agora é só gozar a vida consigo mesmo.

Não há mais interesse pelo outro. O cinema não é mais autoral. O filme só desperta interesse na medida em que provoca catarse ou relaxa. Não serve o teatro que convida a pensar as mazelas sociais e existenciais. Só serve aquelas comediazinhas com gargalhadas de nada.

Chama mais atenção apenas a arte de grande impacto visual: algo muito mais voltado para a excitação dos sentidos que do pensamento.

E os livros? Os títulos mais vendidos são aqueles que prometem uma solução infalível para se ter sucesso profissional e  sexualmente.

Quer se dar bem? Não contrarie o gozo narcísico do outro. Quer se dar bem profissionalmente? Descubra um produto que faça todos gozarem tudo de si mesmos.

A saída não é mais política. A sociedade de consumo está o tempo todo de prontidão para alimentar nossos orgasmos privados.

Só interessa a viagem dos sonhos. Importa apenas a transa disponível no aplicativo.

Não temos mais compaixão pela dor alheia. Não nos sentimos mais responsáveis pelas injustiças. Não sentimos mais vergonha, remorso, culpa. Não manifestamos mais admiração por pessoas honestas, honradas e justas. Não ficamos indignados e nem sentimos mais cólera diante dos cínicos e mentirosos.

Tornamo-nos auto-eróticos. Queremos só o que excita nosso gozo particular. Achamos que nos bastamos.

Vamos ver até quando?!

Evaristo Magalhães – Psicanalista.

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