QUANDO NÃO HÁ MAIS PALAVRAS …

Quando a palavra falha é o corpo que toma a dianteira. Na verdade, não se trata de falha, uma vez que não temos palavra para tudo. Depois da palavra vem a angústia. A angústia é resultado do encontro da palavra com o corpo. A palavra não diz tudo do corpo. O que fazer quando não há o que dizer? Dizemos com o corpo. Como? O cigarro é o resto da palavra que não pode ser dita. O álcool é uma tentativa de anestesiar o que a palavra deixou para trás. Há os que se cortam. Há os que comem o próprio cabelo. Na ausência da palavra o corpo atua cegamente. Precisamos fazer esse corpo falar não através de suas doenças. Como saber disso que a palavra não toca? Como lidar com essa angústia sem mortificar o próprio corpo? Não sabemos. Não temos uma receita. Só sabemos que é preciso integrar isso – de alguma maneira – à própria vida. A saída não seria pelo gesto? Não seria pela arte? Não seria pela poesia? A saída é pessoal. Depois da palavra só resta a verdade de cada um. Qual é a sua?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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