PARA QUE SERVE O AFETO?

Somos vida biológica e vida afetiva. É quase impossível pensar uma pessoa sem nenhuma vida afetiva: seria um autômato. É o afeto que nos liga ao mundo. Não somos puro reflexo. Não apenas olhamos as coisas: olhamos porque gostamos. O afeto é o nosso prazer de olhar. Ou buscamos no mundo alguma alegria de viver que coincida com nossos afetos ou nos tornamos zumbis sem vida vagando por aí. Aí é que se encontra o problema: nunca encontraremos a alegria de viver que procuramos. Uma certa quantidade de afeto sempre ficará à deriva e esperando para ser ligada. Afeto é para extravasar. Quando não é, vira angústia, ansiedade e até loucura. E quando temos a sensação de que o mundo está completamente o avesso de todos os nossos afetos? E quando temos a impressão de que a vida perdeu toda a emoção de viver? E quando nos sentimos com um estranho no ninho? O que fazer para não enlouquecer? Temos que encontrar ao menos UM afeto ao qual podemos nos vincular. É mais ou menos desse jeito que essa nova geração vem administrando seus afetos. Estamos no tempo do – no máximo – UM. Tipo o adolescente que passa o tempo todo plugado no computador: ele pode surtar se for privado disso. Tipo o jovem que quase entra em coma alcoólico nas baladas que frequenta. Estamos no tempo do UM que comanda. É esse UM que ainda sustenta. Fora ELE a vida fica completamente à deriva. Qual é o seu UM?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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