NÃO PODEMOS TUDO …

Sempre tivemos problemas com as nossas grandes questões. Por isso acreditamos que podemos fugir delas forjando um bem viver com futilidades. Hoje, estamos pouco interessados em formular perguntas sobre o sentido da vida. O capitalismo e a ciência vivem nos engabelando com seus consumos e seus remedinhos de promessas de felicidade fácil. Ocorre que o outro lado que negamos, sempre insiste em bater à nossa porta. A questão é quando esse lado perde sua condição de fantasma e se apresenta em carne viva. A ciência não dá conta de tudo. Ninguém nunca voltou aqui para confirmar a existência do paraíso. Em tudo há um furo. Não somos completos. A angústia é inevitável? Sim. Isso é bom? Em parte, sim. Serve para reavaliarmos as ferramentas que construímos para lidar com o pior. Quando o retrocesso mórbido vem à tona, é hora de pensarmos nossa clareza e nossa segurança sobre o que acreditávamos como sendo um avanço para o mundo. Quanto ao campo social, é sempre possível recomeçar. Quanto ao campo subjetivo, não há muito o que fazer. Perdemos a nós mesmos a cada minuto que passa. No campo social até podemos garantir alguma estabilidade. No campo pessoal esse osso é para a vida toda. Nosso trabalho é de triturá-lo e tentar escrever nele algum sentido – mesmo sabendo que não cabe ali quase nenhum sentido. A coisa se complexifica quando, para além das nossas questões pessoais, ainda temos que elaborar nossas perdas no campo social. É assim a vida. Quando achamos que estamos indo – na verdade – estamos voltando à estaca zero. Não sabemos tudo. Não podemos tudo. Temos que dar conta disso que falha em nós.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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