QUEM É VOCÊ?

Quem é você? Temos uma tendência a não saber responder esta pergunta. De modo geral, pensamos em uma resposta bem metafísica. Queremos algo muito poético ou psicologicamente bem profundo. Não temos uma resposta para a nossa origem. Não sabemos de onde viemos e nem para onde vamos. Sobre isto, não existe solução. Não devo responder quem sou buscando o que nunca saberei. Quando me pergunto quem sou devo me definir a partir do que invento para colocar no lugar disso que não sei de mim. Não sou a resposta que não tenho. Sou o que posso inventar sobre essa parte de mim que me é completamente estranha. Diante desse enigma posso passar a vida toda lamentando esse meu desvario ou posso tentar viver me arranjando com isso. Me defino pela segunda hipótese. Sou o que invento para me manter vivo. Sou o que crio para não enlouquecer. Sou as escolhas que faço. Sou a roupa que visto. Sou os amigos que tenho. Sou o uso que faço do meu corpo. Sou o meu cotidiano. Sou o meu agora. Sou a música que gosto. Sou meus erros. Não devo sofrer pelo que não sou. Devo sofrer por não ser capaz  de me reinventar. Sou também quando sofro – infelizmente. Sou como estou.  Tenho que gostar do que crio para preencher esse meu espaço vazio. Quantos agora não estão indo embora em seus próprios vazios?!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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