O QUE É A DEPRESSÃO?

A vida tem as suas tristezas: umas mais leves e outras mais duras. Contra estas últimas, erguem-se as grandes barreiras sociais. Tem a religião prometendo uma eternidade feliz. Tem a ciência com as suas pílulas milagrosas. Tem uma literatura – de gosto muito duvidoso – com suas receitinhas de contos de fadas. É a forma como lidamos com essas ficções que determinará se ficaremos ou não deprimidos. Qualquer coisa que nos disserem nos levará à depressão. Não devemos crer nas palavras. As palavras não são as coisas. As palavras criam um mundo à parte. O mundo real é o insuportável de nós. É nele que envelhecemos. É nele que perdemos nossos amores. É nele que morremos. Na matemática tem o conjunto dos números inteiros e o conjunto dos números infinitos. Os discursos da religião, da ciência e da auto-ajuda, tentam camuflar o nosso conjunto dos números infinitos. Essas falas instituídas criam uma felicidade que não existe. A depressão é uma invenção da cultura. A sociedade não é a felicidade. A sociedade nos melancoliza. A cultura não nos ajuda a enfrentar o vácuo. A cultura é a fuga desse vácuo. Não há felicidade sem o enfrentamento desse estranho de mim. Tenho que roer esse osso para tentar extrair daí uma felicidade que o leve em conta. Toda alegria de viver só é verdadeira se integrar o inevitável de nós. Se não for verdadeira, ao menos será menos amarga ou mais humilde.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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