COMO SE ACHAR BONITO?

O bonito não pode advir de nenhuma comparativo. Não devo admirar porque é mais belo que eu. Não devo achar bonito aquilo que completaria a minha feiura. Isto não é um elogio. Isto é inveja. Não devo depender da beleza alheia. O que considero bonito precisa ser tão bonito quanto eu. Não devo desfazer de mim por nada. Não é isto que o suposto belo espera de mim. Não devo me escravizar por nada. Devo me sentir tão belo quanto qualquer beleza. Relação é troca. Se não me sinto tão belo  devo me voltar para a minha feiura e triturá-la até encontrar algo em mim que me faça – no mínimo – um igual e nunca um menos. Não devo me discriminar. Posso não ter a beleza do outro. As belezas nunca são as mesmas. Contudo, deve haver em mim uma beleza que compense alguma feiura do outro. Não tenho que ser bonito a partir de outro bonito. Tenho que ser tão bonito quanto o outro bonito. É por isso que antes de achar alguém bonito preciso primeiro roer o osso da minha feiura. Tenho que ser bonito comigo. Tenho que me bastar. O ideal é compartilharmos as belezas. Não devo servir de espelho para refletir a beleza de ninguém. Se faço isso é porque me falta um espelho próprio. Se acho alguém bonito devo – primeiro – me perguntar sobre o sentido dessa admiração: não pode ser para me desfazer. Se for, então só me resta procurar uma ajuda profissional – urgentemente.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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