QUANDO É MELHOR TERMINAR O NAMORO

Tendemos a acomodação. Ninguém quer sofrer. Por isso buscamos constância e regularidade em tudo. Criamos esquemas. Estabelecemos regras. Congelamos nossos amores. É curioso como – sutilmente – os casais vão se acomodando em papéis. Quase sempre não muito confortáveis. Quando se dão conta – não há mais tempo para a mudança. A rotina gera um certo automatismo. Nada mais sai do lugar. Ninguém cresce. O namoro petrifica. Especialmente, quando um assume a função de protetor. Não há mais o vazio. Tudo fica preenchido. Algo precisa ser feito. Alguém precisa agir. Quem protege tem que partir – assegurando-se de que quem fica vai dar conta de se reinventar. É preciso agir com responsabilidade. Afinal, não se trata de abandono. Mas, de um ato de profundo amor ao próximo. É preciso deixar de amar pelo outro para que ele se ame. Pode ser amor não amar. Amar pelo outro não é amor – porque o impede de desenvolver. Amor não é simbiose. Relacionar por conveniência não pode terminar bem. Ninguém suporta o lugar de ser demandado o tempo todo – a não ser que ele necessite disso por carência. Não pode ser profícua uma relação que não sai do lugar. Não somos só pelo que pensamos ou sentimos. Dar conta de si é fundamental para a escrita da própria história. Somos a partir do que criamos ou acrescentamos. Existimos quando deixamos nossa marca. Alguém tem que cortar nosso cordão umbilical. Se ninguém o fizer, a vida se encarregará de fazer. Aí poderá ser tarde demais.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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