SOBRE GOZAR DA VIDA …

Não podemos responder apenas com o pensamento. É fundamental colocar o corpo para dizer. As palavras não são minhas – a não ser que eu invente um novo vocabulário. Sou apenas um porta voz de um sentido que me é anterior. Quando respondo com as palavras é porque necessito ser aceito pelo outro. Nunca digo o que gostaria de dizer. Sempre digo o que esperam que eu digo. É uma pena! É por isso que preciso me colocar inteiro no que eu digo. Não posso deixar meu corpo de fora do que penso. Não posso me tornar uma coisa etéria. Não devo viver como um boneco de ventríloquo. Deixo de ser fora do meu corpo. Não sou quando digo para agradar. Minha verdade é o que sinto. Minhas palavras não podem nascer da boca do outro. O que digo precisa advir das minhas entranhas. Gozo apenas quando parto da minha carne que lateja. Preciso criar um vocabulário que saia de mim. Meu corpo nunca mente. Não consigo manipular meus sentimentos. Sei quando não estou sendo. Não sou de fora para dentro. Sou de dentro para fora. Tudo deveria começar pelo sinto. Somos únicos no que sentimos. Por isso – talvez – quase não sentimos. Temos pânico da nossa singularidade. Temos muito medo do que vão pensar. Ainda nos violentamos muito. Infelizmente ainda temos muitas dificuldades em ser. O problema é que pagamos um preço muito alto por isso. Até quando?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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