NINGUÉM É FIEL

Todo mundo trai. Ninguém é inteiro. Quem sabe tudo de si? Vendemos uma imagem. Nunca mostramos tudo – porque sequer sabemos. O amor é uma questão de ponto de vista. Só vemos o que queremos. Em algum momento, todo mundo será surpreendido. Não há amor sem alguma decepção. Não há amor sem conflito. Algum engodo faz parte. A raiva não é com a traição. A raiva é com a desilusão. Não há quem não será cobrado por suas promessas. Todo amor tem um pouco de faz conta. Não há convivência sem esquecimento. Deveríamos experimentar primeiro? Mesmo assim seríamos enganados. É impossível conhecer tudo de alguém. Algo sempre passa. Deveríamos nos preparar para tudo? Sim – com a ressalva de que tudo não existe. É impossível conviver sem ser traído. Não se iluda! Ninguém é fiel. Não somos fiéis nem a nós mesmos. Quem não se contradiz? Não há quem saiba tudo. Esse outro estranho de nós sempre surpreende o nosso entorno. Não podemos prometer o que – sequer – sabemos. Quem pode prever o amanhã? Ninguém é o tempo todo lindo. Toda relação tem seu momento lavação de roupa. De perto ninguém é normal. Não se trata de uma escolha. Escolho a partir do que conheço. Ninguém conhece tudo. Amar é saber lidar com o desgosto. Ainda amamos iludidos – por isso somos traídos. Não existe amor sem desamor. Temos que gozar com alguma dor  – se queremos conviver.  São os ossos do ofício de amar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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