COMO VOCÊ PREENCHE A SUA SOLIDÃO?

Não suportamos um espaço vazio. Queremos a vida sempre rodeada de gente. Precisamos de metas, projetos e sonhos. Aprendemos que um copo vazio está cheio de ar. Queremos preencher tudo. Queremos cobrir. Precisamos entupir. O obeso se empaturra de comida. A anoréxica se enfara de nada. E os drogadictos? E os fanáticos religiosos? Não suportamos o vazio. Tentamos suprir o que nos falta com coisas e ideias do mundo. Doce ilusão! Nosso vazio é impreenchível. Alguém sabe responder de onde viemos? Alguém sabe para onde vamos? Alguém sabe o que vai acontecer daqui a cinco minutos? Alguém está seguro de ser amado? Temos mais enigmas que respostas. Podemos acabar com o mundo se não aprendermos a lidar com nossas lacunas. Não haverá tanto recurso natural para tamanho buraco existencial. É por isso que mesmo os muito ricos entram em depressão. Já vi muitos religiosos tendo crises de pânico. Somos mais vazio que conteúdo. A filosofia tem mais de dois mil e quinhentos anos tentando encontrar uma resposta. A sociedade de consumo muda  detalhes de seus produtos porque sabe da nossa compulsão por ter. Definitivamente, não é pensando que preencheremos nossas dúvidas. Não é comprando que sentiremos confortáveis. Existe saída? Sim. Atravesse o seu vazio. Como? Cada um tem que dar o seu próprio salto. Cada um tem que se descobrir em sua própria cratera. Não dá pra ficar sofrendo e nem se iludindo com futilidades. Muito menos se alienando em doutrinas estapafúrdias. O que mais – além disso – você pode se oferecer?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Um comentário sobre “COMO VOCÊ PREENCHE A SUA SOLIDÃO?

  1. Hércules Tolêdo Corrêa disse:

    Eu estou sempre procurando preencher meus vazios. Uma das formas é ter a pessoa amada ao meu lado. Mas como você bem diz, não somos completamente seguros do amor que temos ou recebemos. Então, é preciso ainda preencher mais essa possibilidade de esvaziamento rápido e imprevisível. Então, no meu caso, a saída é a arte: é a frequência a teatros e shows, é a idade a uma exposição de quadros. Mas também têm as viagens, as comidas gostosas, que podem estar nos restaurantes requintados ou então num botequim da esquina. O importante é estar feliz naquele lugar. Sentir-se preenchido. Assim vamos tentando deixar a vida mais preenchida, mais interessante… Mas também me empaturro da comida porque sou obeso. Mas também tenho segredos que não ouso confessar nem pra mim mesmo às vezes. Curtindo demais ler seus textos filosóficos-psicanalíticos, meu novo amigo! 🙂

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