COMO SAIR DA MESMICE …

Precisamos tomar nossa forma por objeto. Precisamos nos distanciar dela para saber de seu conteúdo. Qual a natureza das minhas ideias e dos meus sentimentos? São meus ou dos outros. Herdei ou criei? O que penso da vida? O que penso do amor? Como conduzo as situações? Repito ou reinvento? Deixo fluir ou já tenho tudo pronto? O que é mais importante a forma ou o conteúdo?Você prefere a carcaça ou o teor? A enunciação ou a consistência? Insistem que precisamos ter uma forma. Insistem que precisamos ser sempre os mesmos. Querem formatar nosso conteúdo. Querem nos dizer de quais conteúdos podemos usufruir: alguns são permitidos outros não. Quem definiu? Qual foi o critério? O fato é que existem significações novas. Nada está dado. Precisamos buscar a palavra que ainda não foi dita. Se tudo durar para sempre -robotizamos. Precisamos criar o imprevisível pela sintaxe. Precisamos ir violando o código para que novos afetos adentrem a linguagem. Precisamos fazer da palavra um mediador transparente e transitivo de outra coisa. Caso contrário, nos perderemos na mesmice …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Um comentário sobre “COMO SAIR DA MESMICE …

  1. Hércules Tolêdo Corrêa disse:

    “Precisamos criar o imprevisível pela sintaxe;” Uau, Guimarães Rosa que o diga, em sua sintaxe arrevesada e imprevista, tudo. Adorando seus textos, rapá! 🙂

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