NÃO EXISTE AMOR ERRADO …

Somos um turbilhão de enigmas. Não sabemos como viemos parar aqui. As coisas estão o tempo todo aquém do que esperamos. Sempre temos a sensação de que poderia ter sido melhor. Nunca estamos satisfeitos e nem seguros do nosso amor. Tem sempre algo sem resposta a nos rodear. Para tanto, aprendemos que quando não acertamos é porque raciocinamos mal ou não planejamos bem. Aprendemos que as melhores ferramentas para conquistar uma vida boa é pensar, projetar e ter fé. Assim o fazemos. Ao sofrermos uma decepção desembestamos a nos culpar de imbecis ou sonhadores. Ainda somos sobremaneira movidos por conceitos e ilusões. Há um outro social ao qual ainda sentimo-nos  na obrigação de prestar contas. O que fazer quando blefamos?  Erramos porque cremos piamente no sentido das palavras. O amor que pensamos e desejamos não existe. Pensar é separar, classificar e julgar. Não podemos avaliar o nosso viver pela razão. O intelecto diz de um amor cúmplice, sincero e eterno. Quando esse amor não acontece, ele é tido como fracassado. Aprendemos que é necessário sofrer quando perdemos. Parece que querem nos angustiar só para reiniciarmos o mesmo blá blá blá de sempre. Do ponto de vista da razão, só temos duas alternativas: ou as coisas dão certo ou não. O problema é que as coisas nunca dão certo como gostaríamos. O problema é que coisas certas não existem. O amor não existe para ser julgado. O amor é para ser sentido. Se pensássemos menos, sentiríamos mais. Se sentíssemos mais, sofreríamos menos. Se julgássemos o amor pelo que usufruímos dele, não o tomaríamos como um fracasso. Usufruir é sempre bom – não importa a quantidade. Quanto maior a alma, menor o corpo. Precisamos olhar menos para o mundo das ideias e mais para o mundo dos sentidos. Não existe amor fracassado quando trememos por completo e com aquele friozinho na barriga. Não existe fracasso quando beijamos gostoso e gozamos intensamente. Beijar é sempre uma delicia. Gozar então, nem se fala! Não existe amor certo ou errado. Amar é sentir, entregar, tocar e lambuzar do outro. Amar é desconceitualizar a vida. Amar não tem conotação moral. Amar é a maior expressão de liberdade. Qualquer amor é bom – se for amor. Não podemos permitir que matematizem nossas emoções. O amor não tem dois lados. O amor não cabe medida. Não existe amor pequeno, grande, longe, perto, intenso, superficial, fraco ou forte. O amor é sempre bom de qualquer jeito. Um simples olhar pode nos fazer subir pelas paredes. Um amor de um minuto pode ser enlouquecedor. Pense menos quando for amar de novo.  Apenas sinta tudo o que puder de qualquer amor. Bom mesmo é amar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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