VIVER NÃO TEM CURA …

Sempre encontraremos algo de errado se compararmos a felicidade que desejamos e a felicidade que temos. Sofreremos terrivelmente se começarmos a pensar que as pessoas que amamos poderão partir a qualquer momento. Ficaremos o tempo todo tensos se assumirmos a condição de cuidadores de quem consideramos   como incapaz de responder sobre seus próprios atos. É desesperador assumir uma posição megalomaníaca diante dos problemas do mundo. Não há solução definitiva para nenhuma destas questões. O recalcado retorna sempre que nos iludimos com alguma solução milagrosa para nos trazer de volta à realidade. Não devo pensar estas questões como certas ou erradas. Não tem nada de errado comigo e nem com o outro. Não tem nada de errado com a morte. Não tem nada de errado com o mundo. Isto quer dizer que devo aceitar as coisas como são? Não. Não posso é crer que estas questões possuem uma solução definitiva. Viver não tem cura. A existência não tem solução. Sofremos porque tentamos resolver o insolúvel. Temos que descobrir um outro modo de lidar com esse existir. A saída não é pelo pensamento. Enlouqueceríamos se desembestássemos atrás de uma solução. Quando a razão excede – vira delirio. Uma alternativa seria trocar o pensar pelo agir. A ação propicia um contato mais direto com a realidade. Em ato seríamos menos infelizes – uma vez que experimentaríamos mais a vida. A ação exige movimento. Ela coloca todo o corpo para sentir. Há o viver com suas questões. Há o corpo podendo acontecer sobre esses enigmas.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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