NEM SOFRER, NEM PENSAR: O NEGÓCIO É GOZAR A VIDA!

Freud se ofereceu para escutar. Melhor: para que as pessoas se escutassem. Ele acreditava que seria possível construir um saber sobre o sintoma. A psicanálise inventou o pensamento para curar a dor. Pensar cura? Doce ilusão! O pensamento não deixa de ser um tipo de sofrimento. Vide os nossos neuróticos obsessivos. As palavras não são as coisas. Não existe a verdade. Giramos – há séculos – entre a angústia e o pensamento sem conseguir chegar a nenhum lugar. Qual a saída de Lacan para este dilema? Não há cura para o sofrimento. Temos que nos arranjar com ele. Como? Inventando como os grandes atores e escritores que sobrevivem fazendo arte dele. Não é possível extirpar o sofrimento. Ele não tem identidade. Também não é possível ficar paralisado ou à deriva. Nem é possível esperar que um milagre aconteça. Temos que nos mover. Experimentar. Atuar. Criar situações novas. O psicanalista não quer saber no que seu paciente está pensando. Ele está interessado no que seu paciente está fazendo. Encontraremos o paraíso? Nunca. Contudo, podemos usufruir do prazer que a vida nos oferece – apesar de tudo. Tem que ter algum amor – ainda que efêmero – na dor.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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