PENSAR OU VIVER?

Temos duas alternativas: viver o que a vida é – ou – o que a vida não é. Pensar é viver o que a vida não é. É ser levado por ideologias, doutrinas e teorias. Isto não é viver. A palavra prescreve. Não existimos enquanto pensamos. Viramos marionetes dos significados. Viver fora do domínio da palavra é o mais revolucionário de todos os atos. Quanto não se ganha com a palavra? O mundo é blá blá blá. Somos oligofrênicos. Quantos não estão lutando apenas para trocar um blá blá blá por outro? O silêncio é arriscado.    Precisamos prevê-lo rápido. Precisamos entupí-lo de ruídos. O mundo não é barulhento por um acaso. Existimos – de fato – quando nos calamos. O novo não fala. O novo é gestual. O novo é para ser apontado, visto, surpreendido. Quer ser você? Pare de pensar e de falar. Quer viver de verdade? Faça. Aja. Não procure pelo significado da vida. Você não o encontrará. É no momento em que admitimos o viver como algo sem sentido, que é possível mudá-lo. Esse é o nível zero da crítica da palavra. É um avanço incrível quando não se atribui nenhum significado à vida. Descobrimos quem somos. Só somos – de fato – depois que as palavras cessam de repetir.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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