NÃO DOU CONTA DE MIM SOZINHO …

Ninguém é sozinho – ainda que vivêssemos isolados em uma ilha. Impossível livrarmo-nos da companhia dos nossos fantasmas, dos nossos medos e dos outros obscuros de nós mesmos. Aqueles de quem nada sabemos. Aqueles de quem não há nada a dizer. Ninguém está a salvo desses estranhos de si mesmo. Eles são iguais para todos. Não adianta dinheiro. Não adianta beleza. Não adianta poder. Sartre dizia que o outro é meu inferno – porque compartilho com ele das minhas angústias existenciais. Por angústias existenciais podemos entender o NADA. Não sabemos como viemos parar aqui. Não sabemos qual será o nosso destino. Somos um vácuo ambulante. Há um outro sombrio ao nosso redor. Um outro que não controlamos. Não há um outro depois desse outro. Ele sempre volta depois do efeito do Rivotril. Ele aparece quando a viagem termina. Ele reacende quando o amor acaba. Precisamos inventar um outro para amenizar os efeitos desse outro tenebroso. Para alguns é a droga. Para outros é a comida. Para muitos é a paixão. Quantos não se apegam à religião? Quantos não enlouquecem? Ninguém consegue se livrar dele. Qual a melhor alternativa? Qual é o melhor outro do outro? Aquele que faz poesia dele. Que ri dele. Que o contempla. Que faz dele uma obra de arte. Que faz dele uma sequência de cenas. Que o representa. Só a arte pode nos salvar!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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