Sobre o MORRER e a MORTE …

Somos seres de falta. Quase nunca contentamos com o que temos. Vivemos obcecados pelo inteiro. É certo que perderemos. Não deveríamos entrar em pânico. Como não sofrer com o que nos falta? Como não sofrer com o que nos faltará? Temos que dar mudar nosso olhar sobre nossos fracassos. Temos que dar conta de não olhar o lado obscuro da vida como um filme de terror. Aprendemos que existe o feio e o bonito. O triste e o alegre. O doce e o amargo. O dia e a noite. A vitória e a derrota. Dividiram nossas vidas em dois lados. Aprendemos que um lado é sempre pior que o outro. Aprendemos a temer o outro lado. Inventaram o fúnebre e o terrível. Criaram a solidão e o desamparo. Tornaram o nosso viver um dilema. Precisamos nos reeducar para enxergar o outro lado com mais leveza. O divã é uma boa escola para aprendermos a lidar com o que tememos. Tem que ser possível enxergar o fracasso com a mesma naturalidade com que enxergamos a vitória. Quem inventou o feio? O feio não pode ser belo? Precisamos de uma escola que nos ensine a contemplar com desprendimento a dor. Precisamos de uma escola que nos ensine a buscar com mais tranquilidade o que nos falta. Precisamos aprender a desejar com menos temor. Precisamos aceitar a dor com benevolência. Temos que dar conta de aceitar a morte com a mesma alegria que recebemos a vida. Temos que dar conta de olhar para o que nos falta com a mesma satisfação que olhamos para o que possuímos. Não se trata de ser ou não-ser? Se trata de SER e NÃO-SER. Quem tem a estima baixa quer a qualquer custo. A revolta é um sintoma da dificuldade de lidar com as perdas. Não é salutar tratar a vida como uma equação matemática a ser resolvida. A vida é feita de opostos. Melhor seria tratar esses opostos como uma composição menos desarmônica. Não há luta de contrários. Há os contrários. Tente olhar para o outro lado da vida com humildade e doçura. Se não for possível, tente ao menos encará-lo. Se for o caso, faça um poema ou conte uma piada …

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Um comentário sobre “Sobre o MORRER e a MORTE …

  1. Gabrielle Rodrigues disse:

    Lindas palavras…Sou órfã e tive que aprender com a vida e o tempo a lidar com a morte dos meus pais…Ainda sofro mas tenho que ser forte.Ainda tenho muito que viver e que seja em paz dando orgulho a eles de onde estiverem!

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